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title: A relação entre inatividade física e a pandemia de COVID-19
description: Revisamos três estudos que mostram como a inatividade física pode afetar os resultados do COVID-19. Veja o que as evidências dizem sobre a atividade física e o risco da doença de Alzheimer, e o benefício de adicionar exercícios à terapia comportamental para o tratamento da depressão e ansiedade.
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October 6, 2020

# A relação entre inatividade física e a pandemia de COVID-19

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*Revisamos três estudos que mostram como a inatividade física pode afetar os resultados do COVID-19. Veja o que as evidências dizem sobre a atividade física e o risco da doença de Alzheimer, e o benefício de adicionar exercícios à terapia comportamental para o tratamento da depressão e ansiedade.*

Como a pandemia de COVID-19 persiste, manter um estilo de vida fisicamente ativo continua sendo um desafio. No entanto, sabemos que o exercício é uma medida fundamental para ajudar a prevenir condições crônicas de saúde que ainda afetam milhões de pessoas e agravam os quadros de COVID-19. 

Nessa matéria trouxemos algumas evidências sobre o impacto da atividade física em vários aspectos do COVID-19; uma revisão das evidências sobre uma série de fatores - incluindo atividade física - associados ao risco de doença de Alzheimer; e um estudo que analisa a eficácia de se incluir a atividade física na terapia comportamental para depressão e ansiedade.

**A relação entre inatividade física e COVID-19**

Dada a novidade do vírus SARS-COV2, que causa o COVID-19, não é surpreendente que não haja muitos estudos sobre a relação entre a atividade física e os resultados do COVID-19. Um artigo publicado na [Sports Medicine and Health Science](https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7261095/) analisa as evidências disponíveis sobre o impacto do COVID-19 em vários sistemas fisiológicos e qualquer relação potencial com a atividade física.

**Sistema imunológico**

A atividade física moderada pode reduzir a suscetibilidade a infecções do trato respiratório superior, melhorando a saúde do sistema imunológico. Os autores observam que, embora mais estudos sejam necessários para avaliar a ligação entre a atividade física antes do diagnóstico do COVID-19 e os resultados do COVID-19, o exercício durante a pandemia é recomendado e também pode ajudar a mitigar algumas comorbidades, como diabetes e obesidade.

**Trato respiratório**

Em casos graves de COVID-19 que requerem hospitalização, 54% dos pacientes apresentam insuficiência respiratória e mais de 30% requerem ventilação mecânica. Pessoas em ventilação mecânica por longos períodos podem desenvolver um diafragma enfraquecido, tornando mais difícil retirá-los do ventilador. Não se sabe se a atividade física altera a estrutura e a função do pulmão e das vias aéreas, entretanto, o treinamento de resistência pode promover adaptações bioquímicas que ajudam a proteger contra desafios, incluindo a ventilação prolongada. Em um estudo, apenas 10 dias consecutivos de treinamento aeróbio forneceram proteção estatisticamente significativa contra o enfraquecimento do diafragma. Em teoria, isso significaria que indivíduos treinados que requerem ventilação mecânica teriam alguma proteção contra um diafragma enfraquecido e, portanto, teriam menos desafios ao sair do ventilador.

**Sistema cardiovascular**

Com o COVID-19, os exercícios podem ter efeitos positivos e negativos. Ao se recuperar do COVID-19, algumas pessoas sofrem danos cardíacos (como miocardite ou inflamação no músculo cardíaco, que afetou vários atletas profissionais e universitários). Esse dano cardíaco pode aumentar o risco de morte cardíaca súbita durante o exercício e pode se estender por toda a vida.

Por outro lado, a atividade física promove a saúde do coração e a longevidade. Os autores recomendam que pessoas saudáveis ​​durante e após a pandemia *“permaneçam fisicamente ativas e se exercitem socialmente distantes quando estiverem bem, parem os exercícios quando desenvolverem sintomas ou sinais de infecção e retornem à AF e façam exercícios lentamente após a recuperação”.*

**Saúde mental**

Os autores também discutem os efeitos prejudiciais da depressão relacionada à quarentena e concluem que* “a prática regular de atividades físicas podem atenuar os sintomas e as consequências da depressão induzida pela quarentena e distúrbios traumáticos com efeitos neuroprotetores sistêmicos, complexos e poderosos”.*

No geral, os autores recomendam sessões de exercícios de intensidade moderada e até 45 minutos de duração para a saúde imunológica e aconselham os idosos a fazer pelo menos 30 minutos de exercícios moderados duas a três vezes por semana.

**A atividade física pode desempenhar um papel na prevenção da doença de Alzheimer**

Aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com a doença de Alzheimer, um tipo de demência. Alguns relatórios sugeriram que a incidência e prevalência da demência diminuíram nos últimos anos, mas as evidências de medidas de prevenção eficazes são amplamente inconsistentes. Um estudo publicado no [Journal of Neurology, Neurosurgery, & Psychiatry](https://jnnp.bmj.com/content/early/2020/09/02/jnnp-2019-321913.long)  conduziu uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais de longo prazo. Os autores revisaram um total de 396 estudos.

Os autores realizaram meta-análises em 134 fatores de risco, incluindo:

- Diabetes;
- Histórico de tabagismo;
- Índice de massa corporal (IMC);
- Atividade física;
- Folato sérico;
- Exposição a pesticidas;
- Pressão arterial, entre outros.

A análise encontrou 43 fatores que mostraram uma associação estatisticamente significativa com o risco de doença de Alzheimer, 80% dos quais modificaram o risco em pelo menos 25%. A atividade física foi um desses fatores, a análise encontrou um risco reduzido de 36%.

Além disso, alguns dos fatores associados a um maior risco de Alzheimer podem ser prevenidos ou mitigados em vários graus através de um estilo de vida fisicamente ativo. Esses fatores incluem:

- Diabetes;
- Obesidade na meia-idade;
- Hipertensão na meia-idade;
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Colesterol alto.

**O exercício pode ser um complemento eficaz para a terapia comportamental da depressão**

Um estudo publicado na revista [Behavioral Sciences](https://www.mdpi.com/2076-328X/10/7/116/html) analisou o efeito de intervenções de exercícios combinados com terapia comportamental para tratar ansiedade e depressão. A análise incluiu participantes com ou sem comorbidades - como HIV ou doenças cardíacas - e com ou sem níveis elevados de depressão. As terapias comportamentais incluíram terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia e gerenciamento de estresse, entre outros, e as intervenções de exercícios incluíram apenas exercícios aeróbicos (nove estudos), exercícios de resistência (dois estudos) e exercícios aeróbicos e resistência combinados (seis estudos). No total, a revisão sistemática e meta-análise incluíram 18 estudos envolvendo 1.686 participantes.

De acordo com os resultados, a terapia comportamental combinada e a intervenção com exercícios mostraram um benefício estatisticamente significativo em comparação à terapia comportamental isolada para pessoas com depressão. Especificamente, a intensidade moderada do exercício e intervenções aeróbicas apenas combinadas com terapia comportamental foram associadas a melhorias na depressão. O resultado foi mais pronunciado em participantes com mais idade. Não houve diferença entre os grupos para pessoas com ansiedade.

A depressão geralmente ocorre junto com outras condições crônicas de saúde, muitas das quais os exercícios estão associados a benefícios para a saúde física e mental. Os autores concluem que adicionar intervenções de exercícios à terapia comportamental existente para pessoas com depressão pode ser uma maneira barata e eficaz de aumentar os benefícios do tratamento.

**Aproveite ao máximo os benefícios da atividade física**

Compartilhe amplamente este conteúdo para ajudar a espalhar a informação sobre os muitos benefícios da atividade física para a saúde física e mental!

*Texto por Alexandra Black Larcom*

*Tradução e adaptação por Samantha Cortijo*

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